02/07/2026
O objetivo da campanha “Perigo no Ar, linha chilena não” é claro: reforçar que a prevenção é a melhor opção e que a colaboração da sociedade é fundamental para evitar tragédias.
Com o início do período de férias escolares, o céu do Rio de Janeiro costuma ficar mais colorido com a tradicional brincadeira de soltar pipas. No entanto, o que deveria ser uma diversão saudável traz de volta um alerta grave para a segurança pública e a preservação da vida: o uso criminoso da linha chilena e do cerol.
Para combater essa prática que anualmente deixa dezenas de vítimas — muitas delas fatais —, o programa Linha Verde, do Disque Denúncia, está lançando uma nova campanha de conscientização e fiscalização. O objetivo da campanha “Perigo no Ar, linha chilena não” é claro: reforçar que a prevenção é a melhor opção e que a colaboração da sociedade é fundamental para evitar tragédias.
O perigo invisível que se intensifica nas férias
A linha chilena, feita com uma mistura de quartzo moído e óxido de alumínio, tem um poder de corte quatro vezes maior que o cerol tradicional. Capaz de degolar motociclistas, ciclistas e pedestres, além de mutilar aves e danificar a rede elétrica, o material é uma verdadeira arma invisível.
Em abril, o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, morreu após ter o pescoço cortado por uma linha chilena enquanto pilotava sua moto entre as ruas Cerqueira Daltro e Gaspar Viana, em Cascadura. Ainda em Abril, o motociclista Felipe Soares, de 35 anos, sofreu um acidente impressionante enquanto pilotava pelo bairro da Pavuna. Uma linha chilena atingiu sua cabeça com tanta força que conseguiu rasgar a estrutura do capacete e cortar a sua testa. Felipe precisou ser levado às pressas ao hospital e levou cerca de 10 pontos no ferimento, mas sobreviveu.
Nas férias escolares, o risco atinge o ápice devido ao aumento de jovens e adultos empinando pipas em áreas urbanas e próximas a vias expressas.
Disque Denúncia em alerta: os números do primeiro semestre
O Linha Verde mantém os olhos bem abertos para o problema durante o ano inteiro. Os dados acumulados nos primeiros meses de 2026 acendem um sinal de alerta para as autoridades:
De janeiro à junho, já foram cadastradas 448 denúncias envolvendo locais de produção, comercialização e utilização de cerol e linha chilena. Rio de Janeiro (323), Nova Iguaçu (23), São Gonçalo (14), Niterói (12) e São João de Meriti (9), são os municípios com maior incidência de denúncias e, somente na capital, Piedade (65), Campo Grande (31), Bento Ribeiro (21), Padre Miguel e Realengo (18 cada), chamam a atenção.
No ano passado inteiro, o programa Linha Verde registrou recorde, chegando a registrar 1.203 denúncias sobre linha chilena e cerol. Esses números provam que o material ilegal continua circulando de forma clandestina, muitas vezes sendo vendido em pequenas lojas, armarinhos de bairro ou pelas próprias redes sociais.
Vigilância e Prevenção: Como ajudar?
A campanha “Perigo no Ar, linha chilena não”, do programa Linha Verde, busca sensibilizar pais e responsáveis sobre a importância de monitorar o que os filhos estão usando na hora da diversão, além de convocar a população para denunciar, de forma anônima, os locais de fabricação, armazenamento e venda.
Para Renato Almeida, diretor geral do Disque Denúncia, as férias escolares são um período de diversão e de momentos especiais em família. “Precisamos garantir que esses momentos não sejam interrompidos por imprudências. Nossa campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre os riscos do uso da linha chilena. Nos últimos três anos, registramos acidentes fatais relacionados a esse produto. É fundamental que a população denuncie o uso e a comercialização da linha chilena, para que possamos impedir que essa triste estatística continue a crescer”, reforçou Renato.
Se você sabe onde há comercialização, produção ou uso frequente de linha chilena no seu bairro ou na sua cidade, denuncie. A população pode ligar 24 horas, sete dias da semana, para o telefone (21) 2253-1177 e para o 0300 253 1177, ambos com WhatsApp anonimizado - técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa, ou então pelo App "Disque Denúncia RJ". É possível denunciar ainda pelo site do Disque Denúncia (www.disquedenuncia.org.br) ou ainda pela FanPage do Linha Verde no facebook (www.facebook.com/linhaverdedd).
Neste período de descanso escolar, garanta que a brincadeira das crianças permaneça apenas no céu, sem colocar em risco quem está no chão. Prevenir é, e sempre será, a melhor opção.
LINHA VERDE, o Disque Denúncia do Meio Ambiente