24/08/2026
Equipamentos são utilizados para monitorar territórios, identificar rivais e lançar explosivos; criminosos também passaram a usar sistemas para detectar e bloquear drones
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga 18 ataques cometidos com drones por facções criminosas. Segundo as investigações, os grupos passaram a investir não apenas no uso dos equipamentos para monitorar territórios, mas também em tecnologias capazes de dificultar o rastreamento e impedir ações de grupos rivais.
Imagens feitas pela polícia mostram dezenas de pessoas participando de uma aula sobre como operar drones. Os professores, segundo os investigadores, eram traficantes. A atividade ocorreu em uma comunidade controlada pelo Comando Vermelho.
Em diferentes comunidades do Rio, os drones passaram a fazer parte da disputa pelo controle territorial. Os equipamentos são usados para vigiar áreas, identificar a movimentação de grupos rivais e definir o momento de invasões. Em alguns casos, também são utilizados para lançar explosivos contra integrantes de facções adversárias.
A tecnologia também passou a ser usada pelos criminosos como forma de defesa. Para evitar o monitoramento e ataques de grupos rivais, traficantes começaram a utilizar equipamentos capazes de identificar a presença de drones e interferir no funcionamento dos aparelhos.
Neste mês, a Polícia Militar apreendeu um dispositivo que alerta para a presença de drones sobrevoando determinada região. Em outras operações, agentes encontraram equipamentos antidrones capazes de interromper o sinal utilizado pelos aparelhos.
Há ainda dispositivos que, segundo as investigações, conseguem identificar a presença do drone e apontar a localização do piloto.
Dados do Disque Denúncia mostram o crescimento dos relatos envolvendo drones operados por traficantes e milicianos no estado. O número passou de 86, em 2025, para 287 neste ano.
Diante do avanço do uso da tecnologia pelo crime organizado, especialistas defendem medidas para aumentar o controle sobre a comercialização dos equipamentos.
Enquanto o crime organizado amplia o uso dos equipamentos, os processos para a aquisição de tecnologia antidrones pelas forças de segurança enfrentam dificuldades.
Há um ano, o governo do Rio anunciou que investiria R$ 27 milhões na compra de 80 equipamentos de um sistema antidrones para as polícias. A licitação, porém, foi cancelada ainda no início do processo.
Segundo o governo estadual, a decisão ocorreu após mudanças nas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por fiscalizar e regulamentar os equipamentos comercializados no país.
Em operações regulares, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é responsável pela habilitação dos pilotos de drones. Nas áreas dominadas por facções criminosas, no entanto, não existe esse tipo de controle.
Para Roberto Uchôa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o avanço desse tipo de tecnologia evidencia o desafio do poder público para retomar o controle de territórios dominados pelo crime organizado.
Segundo Uchôa, compras em grande quantidade poderiam ser monitoradas para identificar possíveis vínculos com atividades criminosas.
O especialista também destaca que já existem tecnologias capazes de interferir na transmissão e no controle dos drones.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio afirmou que o combate ao uso de drones pelo crime organizado exige a integração entre diferentes órgãos.
Segundo a pasta, o governo federal vai destinar drones e equipamentos antidrones para as forças de segurança do estado.
A secretaria informou ainda que, desde 2019, quase 50 mil drones e mais de mil bloqueadores foram retirados do mercado.
Fonte: G1
https://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2026/08/21/policia-investiga-18-ataques-com-drones-usados-por-faccoes-criminosas-no-rio.ghtml