20/10/2026

Light intensifica combate às ligações clandestinas no Rio de Janeiro. A empresa mantém parcerias com órgãos públicos e forças de segurança, além de colaborar com o Disque Denúncia no recebimento de informações sobre possíveis fraudes.

Furto de energia: quem paga o preço dos “gatos de luz”?

Furto de energia: quem paga o preço dos “gatos de luz”?

O furto de energia ocorre de diferentes formas. Entre as mais comuns estão as conexões feitas diretamente na rede, sem passagem pelo medidor, e as adulterações dos equipamentos para registrar um consumo inferior ao real. Essas práticas integram as chamadas perdas não técnicas, que incluem o furto de energia – eletricidade consumida, mas não contabilizada corretamente pelos medidores de energia – e outras irregularidades.

Além das ligações clandestinas, há o perigo das instalações improvisadas. Cabos e transformadores podem receber uma carga superior à prevista, provocando aquecimento, oscilações de tensão e interrupções no fornecimento de energia. Intervenções feitas sem os cuidados técnicos necessários também aumentam o risco de choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios.

As consequências não ficam restritas ao imóvel onde a fraude foi cometida. Uma falha em um transformador pode deixar várias ruas sem luz. Mesmo sem uma interrupção completa, oscilações de tensão podem danificar eletrodomésticos, computadores e equipamentos comerciais.

Em hospitais e clínicas da família, a continuidade do abastecimento é essencial para o funcionamento de equipamentos médicos, além de manter a conservação de medicamentos e outros insumos, mesmo nas unidades que dispõem de sistemas de emergência como geradores de energia. Para escolas, a falta de eletricidade compromete aulas e atividades que dependem de recursos eletrônicos, além de afetar ainda mais alunos que estudam à noite, por exemplo. Já nos estabelecimentos comerciais, pode interromper sistemas de pagamento e refrigeração de produtos.

Apesar dos esforços permanentes de combate ao furto de energia, as ligações clandestinas continuam representando um dos principais desafios para a distribuição de energia na área de concessão da Light. Somente em 2026, até agosto, a empresa regularizou mais de 179 mil ligações irregulares em residências e comércios e recuperou 259 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 95 mil residências durante um ano.

Além disso, os “gatos” geram prejuízos estimados em R$ 1,3 bilhão por ano, recursos que poderiam ser destinados à modernização da rede elétrica, à substituição de equipamentos, ao reforço da infraestrutura e à ampliação da qualidade do fornecimento. Para se ter uma dimensão do problema, a Light estima que, a cada 100 clientes regulares, 36 furtam energia.

Além do impacto financeiro, as fraudes também dificultam o planejamento da expansão e manutenção do sistema elétrico. Como a energia desviada não é contabilizada corretamente nos registros de consumo, a concessionária precisa realizar estudos adicionais para identificar a demanda real de cada região e dimensionar adequadamente equipamentos, redes e investimentos necessários para acompanhar o crescimento das áreas atendidas.

As ligações clandestinas também provocam consequências diretas para a população. A sobrecarga nos transformadores aumenta o risco de acidentes, reduz a vida útil dos equipamentos e pode causar interrupções no fornecimento, afetando principalmente os clientes que mantêm suas contas em dia.

A identificação de ligações clandestinas reúne análise de dados e trabalho das equipes de campo. A Light utiliza ferramentas de inteligência artificial para examinar padrões de consumo e localizar situações suspeitas. Os medidores inteligentes também fornecem informações que orientam as fiscalizações.

Segundo a concessionária, são realizadas cerca de 1.400 verificações por dia em sua área de atuação. Os profissionais recebem treinamento para reconhecer diferentes modalidades de desvio, avaliar as condições das instalações e realizar os procedimentos técnicos necessários para confirmar irregularidades.

Em algumas regiões do Rio de Janeiro, a violência dificulta o acesso das equipes. A empresa mantém parcerias com órgãos públicos e forças de segurança para realizar operações nessas localidades, além de colaborar com o Disque Denúncia no recebimento de informações sobre possíveis fraudes.

O trabalho inclui ações especiais de fiscalização, com a mobilização de diferentes equipes para identificar desvios e realizar intervenções nas instalações elétricas.

Os resultados das ações de combate ao furto também aparecem no volume de eletricidade recuperada. Até agosto de 2026, a Light contabilizava 259 gigawatts-hora (GWh) recuperados, quantidade suficiente para abastecer, aproximadamente, 95 mil residências durante um ano, segundo estimativa da concessionária.

A regularização envolve a adequação das conexões às exigências técnicas de segurança e a correção dos sistemas de medição. Além de eliminar instalações irregulares, o procedimento permite que o fornecimento seja realizado com equipamentos apropriados e o consumo devidamente registrado.

Vale lembrar que o furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, que equipara a eletricidade a bem móvel. As penas variam conforme as circunstâncias do delito e podem chegar a oito anos de reclusão nos casos de furto qualificado.

A Light orienta os consumidores a não realizar intervenções em fios, postes ou medidores sem autorização. Suspeitas de ligações clandestinas devem ser comunicadas pelos canais oficiais da concessionária ou às autoridades competentes.

Fonte: CNN Brasil

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